Há em mim uma ponta de faca,
Uma agulha espessa,
Uma tampa folgada.
Há em meu corpo uma roupa velha,
Estrago das horas, marcas clareando.
Não sei quantas casas estão esperando
Tão pouco me importa se há cobertor.
O cão já latiu, o pássaro migrou
Não há sete vidas, o gato cansou.
Não me tome por agora,
Não, não me acredite...
Há sim, lá fora, o sol de costume
E o mar, e os seus marinhos!
É que hoje escrevo entre rios...
Inundando meus aspectos
Afogando minhas mãos.
Há sim, lá fora, o sol de costume
E o mar, e os seus marinhos!
Não me tome por agora,
Não, não me acredite...
Sou apenas uma mulher
Que amanheceu sem cor.