quinta-feira, 27 de março de 2008

Tapete




Abre o céu de hoje,
Pois por onde ando
Mora o presente das areias.

O tempo vem no abraço terno
Envolto em meias palavras.

Guarda como quem cuida tesouro
E reza por algum menino
Em noites de chuva fina...

A matriarca arca com benções.
E coisa divina é ser mulher
É ser família, e ter fé nos pés.

Abre o céu de hoje,
Pois por onde ando
Há pano n’água, e há renda e há parada.

Vão todas as pegadas lavadas,
Formando os caminhos de azul e verde
Contornando outras mãos
Que se deixam aguar...

No mar é brando meu fogo.

E escorro em água
Todos caminhos.

quinta-feira, 6 de março de 2008

Juras

Dentro da casa rosada
Onde outra feita
Sim,se deita.

Nas femininas estampas
Na boca de carne
Rompidas, sutis,

Vermelhas rosas bordadas nas juras.

As juras nuas
Todas elas.

Juras
Juras
Seu amor...

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Constatação Tardia

Raios solares de mesmo incômodo
Atingem-me como de costume,

Os sons não param de insistir,
Enquanto me espreguiço
Pelos lençóis agitados
Da cama, mesma, desde menina.

Levanto para um banho
Quente, muito quente.

Há óleo em meu corpo
E no ralo se perde a espuma.

Minha tez espera
O momento em que as vestes
Enfeitarão seus acinzentados.

Penso na noite, mesma,
Desejando acobertar-me
Pelas horas de um sono
Calmo.

Percebo em meus desejos, mesmos,
Que sou uma mulher cansada
E anseio pelas vozes dos falsos
Calares.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Sambinha de tudo que vai.

Morena, meu doce,
Vou-me embora.

É chegada a hora
Do adeus
Morte de viver.

Não se acanhe em chorar
Mas não teima, vou voltar,
Pros teus braços,meu querer.

Vou selado pelos silvos
No meu peito um remendo
De seus olhos sempre vivos.

Morena, meu doce
Vou-me indo devagar.

Vê a lua,
Vê o mar!

Ouve samba
Pois num samba
Mora a dor de ser quem é,

No samba, morena,
Encontramos bons motivos.

Fecha teus olhos castanhos
Que num piscar volto vivo

Deixo aqui a canção
E levo no bolso o refrão
Das notas que estive contigo.

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Felicidades


( Para meu filho que revela tanta vida em apenas um ano)



Hoje fez ano
Que o furor soprou manso
Nesses dias que seguiram.

Lençóis, camas e cantos
Tornaram pequeno piado
Enquanto seus olhos dormiam.

Dos quentes que habitavam
Ainda resta o telhado
Enquanto um azular, nos passos, ascende.

De modo que o encanto,
Depois de ano, de sons e horas,
Calhou de ser abrigo.

Por ser feita assim essa casa
De frescas em raios magenta

Da janela vê-se, não é raro,
Verdinhos ramos de menta.
-

terça-feira, 16 de outubro de 2007

Só e a lua

Ela branca sai
Da boca da noite
Só um Hai cai.

O cardápio da Joaninha ( Para Paulinho e outras crianças)

Redonda pela sombrinha
Com seu vestido vermelho
Todo pintado em bolinhas

Parece uma senhorinha
Essa Joaninha.
Andando assim pela folha
Numa miudeza, escondidinha.

Dia desses veio o pulgão
Temeroso, olhando os lados
Perguntou da Joaninha
E foi saindo, assim de lado.

Não entendi a agonia
Desse bichinho invocado!

Mas não é que me contaram
Numa certa ocasião
Que bom prato, para Joaninha,
É o apetitoso pulgão.

Não poderia adivinhar,
Que ao olhar o bichinho daquele jeito,
A Dona Joaninha queria mesmo
Era encher sua pançinha.