Diante do espelho,
Todas as manhãs,
Reviso as graças do tempo.
Algumas de suas linhas
Impressas pelos meus olhos.
E,como se para descansar o olhar,
Meigas almofadinhas.
Minha pele de mulher
Sem artifícios
Deixou de ter viço logo aparente.
Tornou-se um tanto fosca
E um pouco frágil.
Meus cabelos emaranhados
Do sono agitado,
Outrora lisos e loiros,
Agora secos e ruivos,
Fazem-me concluir:
Tinta com ou sem amônia,
Dá no mesmo.
Certas coisas não há creme que dê jeito.
A boca meio espalhada,
Perdeu um pouco do rosa.
Uma palidez fantasmagórica
Toma início
Por toda a minha face.
Algumas bolinhas esquisitas,
Que nem sei nomear,
Deram a aparecer aos montes!
Tentei tirar com laser,
Mas as tais voltam em bando.
Ao menos o sorriso
Parece-me agradável...
Meus dentes,
Graças as normas de saúde,
E não ao tempo,
Andam bem,obrigada.
Suspiro todas as vezes
Pensando em como esse ritual
Irrita
Forçosamente sou lembrada,
Diariamente,
Que pouco me falta pros trinta.