Diante do espelho,
Todas as manhãs,
Reviso as graças do tempo.
Algumas de suas linhas
Impressas pelos meus olhos.
E,como se para descansar o olhar,
Meigas almofadinhas.
Minha pele de mulher
Sem artifícios
Deixou de ter viço logo aparente.
Tornou-se um tanto fosca
E um pouco frágil.
Meus cabelos emaranhados
Do sono agitado,
Outrora lisos e loiros,
Agora secos e ruivos,
Fazem-me concluir:
Tinta com ou sem amônia,
Dá no mesmo.
Certas coisas não há creme que dê jeito.
A boca meio espalhada,
Perdeu um pouco do rosa.
Uma palidez fantasmagórica
Toma início
Por toda a minha face.
Algumas bolinhas esquisitas,
Que nem sei nomear,
Deram a aparecer aos montes!
Tentei tirar com laser,
Mas as tais voltam em bando.
Ao menos o sorriso
Parece-me agradável...
Meus dentes,
Graças as normas de saúde,
E não ao tempo,
Andam bem,obrigada.
Suspiro todas as vezes
Pensando em como esse ritual
Irrita
Forçosamente sou lembrada,
Diariamente,
Que pouco me falta pros trinta.
Terça-feira, 30 de Junho de 2009
Sexta-feira, 19 de Junho de 2009
A pulga ( para Paulinho e outras crianças)
Dentinhos da pulga
Afiado desejo,
Coçou o cachorro,
Mordeu o meu dedo,
E de tão fininhos,
Não vejo, não vejo...
Do alto do salto,
Vê-se a cidade.
Os prédios, os carros,
A velocidade.
Mas, sabem a pulga,
Tem melhor destino...
E de salto em salto,
Deixa o que é chato,
Vai indo, vai indo.
Afiado desejo,
Coçou o cachorro,
Mordeu o meu dedo,
E de tão fininhos,
Não vejo, não vejo...
Do alto do salto,
Vê-se a cidade.
Os prédios, os carros,
A velocidade.
Mas, sabem a pulga,
Tem melhor destino...
E de salto em salto,
Deixa o que é chato,
Vai indo, vai indo.
Segunda-feira, 8 de Junho de 2009
A planta
(Para Tatiana Sinay, meu amor planta)
Plantei-te no quintal de casa,
Perto das laranjeiras, onde a terra
Conserva umidade e os passarinhos,
Vem-te sorrir nos finais de tarde.
Por onde passa uma nesga de água...
Conserva umidade e os passarinhos,
Vem-te sorrir nos finais de tarde.
Por onde passa uma nesga de água...
Que é bem pouca, é verdade,
Mas não é de maldade.
Mas não é de maldade.
Se reparar bem,
Pelo fio fino de água
Há certa nostalgia,
Uma suavidade só sentida
Nas coisas discretas...
Passa por ti serena,
Constante,
Cumprindo o papel:
Pelo fio fino de água
Há certa nostalgia,
Uma suavidade só sentida
Nas coisas discretas...
Passa por ti serena,
Constante,
Cumprindo o papel:
Te matar a sede.
Coloquei-te, devagarzinho,
Numa cerca de palha dourada,
Onde em noites de muito frio,
Cubro teus sonhos
Com toalha de flanela quadriculada.
Numa cerca de palha dourada,
Onde em noites de muito frio,
Cubro teus sonhos
Com toalha de flanela quadriculada.
Como gosto de te ver sonhar!
Ás vezes nem me faço notar...
Pego no sono alí mesmo,
Entre teus sonhos.
Sonhos de planta grande,
Mas não essas grandes estranhezas!
Mas não essas grandes estranhezas!
São grandezas, essas tuas,
De fazer sonhar gente também.
São de som e de frescor,
De fazer sonhar gente também.
São de som e de frescor,
Coisa pouca, crescer diferente.
Tem dias, quando meu coração bate mais fraco,
Que te reparo e me ponho a rir contigo.
E tuas folhas ficam de vibrar...
Deixando o ar cheio de graça!
Aí, tudo que é planta ri junto,
E já nem me lembro das asneiras do meu peito,
Porque ele entende de repente,
Que te reparo e me ponho a rir contigo.
E tuas folhas ficam de vibrar...
Deixando o ar cheio de graça!
Aí, tudo que é planta ri junto,
E já nem me lembro das asneiras do meu peito,
Porque ele entende de repente,
As esperanças.
Nessas horas guardo bem teu riso,
Pra não esquece-lo,
Pra não esquece-lo,
Quando o tempo das distâncias chegar.
Plantei-te no quintal , é verdade...
Para nunca sentir saudade dolorida,
Para sempre sentir perfume,
Para sempre sentir perfume,
E pra que todas as manhã sejam alegrias,
Por perto de minha casa.
-
Terça-feira, 2 de Junho de 2009
Segunda-feira, 4 de Maio de 2009
Encantado
(Para Rai,por me fazer ter mais carinho com as memórias,
por me lembrar de escrevê-las,pois jamais as quero perder)
.
No sítio de meu pai,
Quando o dia já me tocava,
Costumava sentar na varanda
E ver o tempo ser amigo.
Por lá, ele (o tempo), gostava de passear.
Circulava as siriguelas,
Aguardava as acerolas,
Sorria em graviolas,
Sentava em meu colo de início.
Por horas me perdia num verde certo.
Por horas era verde o meu coração.
Meu pai, não demorava, já ia concertar a cerca,
Concertar a fonte, concertar qualquer coisa,
Que não estivesse direita.
Ia numa felicidade construída.
Sem camisa, sem óculos,
Sem hora.
Vez por outra entrava farpa no dedo,
Farpa de madeira.
Eu corria pra tirar.
Meu pai tinha medo de sangue.
Desmaiava.
Homem grande daquele,
Era besta pra dor...
Mas eu entendia.
Minha mãe gostava da cozinha,
Danava a fazer doce!
Doce de leite de bolinha,
Em pasta, doce de goiaba,
Doce de Caju.
Gostos bons tinham os doces.
Havia algo a mais que fruta e açúcar.
Muito mais que temperatura exata,
Ou ponto certo da calda...
Ela nunca dizia o que era
Mas dava pra sentir.
Pelas tardes eu corria sem pressa,
Só por vontade...
Pés descalços.
Ventava manso nessa hora,
Tudo calhava numa promessa presente.
Eu ia catar as meninas,
Pra irmos no rio da ponte.
Tinha água pra tudo que era lado,
Alegrias todas molhadas.
Ria o rio todo dia com a gente.
Voltava pra casa enlameada.
Minha mãe de cara feia,
Meu pai achava graça só pra mim.
Passava igual um raio,
Não querendo ouvir qualquer coisa.
Trancava a porta do banheiro,
A tramela reclamava
E eu sorria de agonia.
À noitinha, novamente na varanda,
O café tinha cheiro de terra.
A mesa era posta,
Enquanto tudo lá fora se recolhia,
Sem saudade alguma.
Mais pra dentro da noite, meu irmão cantava.
Gostava de chamar boas coisas.
Eu acompanhava.
Éramos dupla, parceiros, juntos.
Cada qual na sua cama,
Entre olhares e amores,
Admirados um do outro,
Até o sono acordar os sonhos.
Noite grande depois da cantoria.
Depois só silêncio
Entre os sons bons de ouvir.
Quando o sol em calor nascia,
Todos os bichos acordavam,
E, todos juntos , acordávamos para viver.
Vida boa!
Lembranças de peito largo,
Essas do sítio de meu pai.
Por lá não havia nada,
Nada demais...
Quando o dia já me tocava,
Costumava sentar na varanda
E ver o tempo ser amigo.
Por lá, ele (o tempo), gostava de passear.
Circulava as siriguelas,
Aguardava as acerolas,
Sorria em graviolas,
Sentava em meu colo de início.
Por horas me perdia num verde certo.
Por horas era verde o meu coração.
Meu pai, não demorava, já ia concertar a cerca,
Concertar a fonte, concertar qualquer coisa,
Que não estivesse direita.
Ia numa felicidade construída.
Sem camisa, sem óculos,
Sem hora.
Vez por outra entrava farpa no dedo,
Farpa de madeira.
Eu corria pra tirar.
Meu pai tinha medo de sangue.
Desmaiava.
Homem grande daquele,
Era besta pra dor...
Mas eu entendia.
Minha mãe gostava da cozinha,
Danava a fazer doce!
Doce de leite de bolinha,
Em pasta, doce de goiaba,
Doce de Caju.
Gostos bons tinham os doces.
Havia algo a mais que fruta e açúcar.
Muito mais que temperatura exata,
Ou ponto certo da calda...
Ela nunca dizia o que era
Mas dava pra sentir.
Pelas tardes eu corria sem pressa,
Só por vontade...
Pés descalços.
Ventava manso nessa hora,
Tudo calhava numa promessa presente.
Eu ia catar as meninas,
Pra irmos no rio da ponte.
Tinha água pra tudo que era lado,
Alegrias todas molhadas.
Ria o rio todo dia com a gente.
Voltava pra casa enlameada.
Minha mãe de cara feia,
Meu pai achava graça só pra mim.
Passava igual um raio,
Não querendo ouvir qualquer coisa.
Trancava a porta do banheiro,
A tramela reclamava
E eu sorria de agonia.
À noitinha, novamente na varanda,
O café tinha cheiro de terra.
A mesa era posta,
Enquanto tudo lá fora se recolhia,
Sem saudade alguma.
Mais pra dentro da noite, meu irmão cantava.
Gostava de chamar boas coisas.
Eu acompanhava.
Éramos dupla, parceiros, juntos.
Cada qual na sua cama,
Entre olhares e amores,
Admirados um do outro,
Até o sono acordar os sonhos.
Noite grande depois da cantoria.
Depois só silêncio
Entre os sons bons de ouvir.
Quando o sol em calor nascia,
Todos os bichos acordavam,
E, todos juntos , acordávamos para viver.
Vida boa!
Lembranças de peito largo,
Essas do sítio de meu pai.
Por lá não havia nada,
Nada demais...
.
Domingo, 26 de Abril de 2009
(...)
De tudo o que eu queria
Nada, nada ficou.
No ar esse cheiro deitado,
Esse perfume de coisa passada.
Talvez, um dia, o tempo venha me acarinhar...
Não sei se vou crer nas esperas,
Não sei.
Mas quero muito ser gente contente,
Dessas que são lembradas,
E de lembraças não passam,
Mas são de sempre lembrar.
Hoje ví um homem lindo,
Pedir uma mulher de riso claro
Em casamento.
Chorei água de riacho.
Acho que as nuvens são de passar.
Passando eu...
Não sei se sou espera.
Não sei quase viver.
Nada, nada ficou.
No ar esse cheiro deitado,
Esse perfume de coisa passada.
Talvez, um dia, o tempo venha me acarinhar...
Não sei se vou crer nas esperas,
Não sei.
Mas quero muito ser gente contente,
Dessas que são lembradas,
E de lembraças não passam,
Mas são de sempre lembrar.
Hoje ví um homem lindo,
Pedir uma mulher de riso claro
Em casamento.
Chorei água de riacho.
Acho que as nuvens são de passar.
Passando eu...
Não sei se sou espera.
Não sei quase viver.
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