terça-feira, 30 de junho de 2009

Trintando

Diante do espelho,
Todas as manhãs,
Reviso as graças do tempo.

Algumas de suas linhas
Impressas pelos meus olhos.
E,como se para descansar o olhar,
Meigas almofadinhas.

Minha pele de mulher
Sem artifícios
Deixou de ter viço logo aparente.
Tornou-se um tanto fosca
E um pouco frágil.

Meus cabelos emaranhados
Do sono agitado,
Outrora lisos e loiros,
Agora secos e ruivos,
Fazem-me concluir:

Tinta com ou sem amônia,
Dá no mesmo.
Certas coisas não há creme que dê jeito.

A boca meio espalhada,
Perdeu um pouco do rosa.
Uma palidez fantasmagórica
Toma início
Por toda a minha face.

Algumas bolinhas esquisitas,
Que nem sei nomear,
Deram a aparecer aos montes!
Tentei tirar com laser,
Mas as tais voltam em bando.

Ao menos o sorriso
Parece-me agradável...
Meus dentes,
Graças as normas de saúde,
E não ao tempo,
Andam bem,obrigada.

Suspiro todas as vezes
Pensando em como esse ritual
Irrita

Forçosamente sou lembrada,
Diariamente,
Que pouco me falta pros trinta.

Passageira

-
Tristeza em mim
Vem de graça.

Se escrevo,
Ela passa.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

A pulga ( para Paulinho e outras crianças)

Dentinhos da pulga
Afiado desejo,

Coçou o cachorro,
Mordeu o meu dedo,
E de tão fininhos,
Não vejo, não vejo...

Do alto do salto,
Vê-se a cidade.

Os prédios, os carros,
A velocidade.

Mas, sabem a pulga,
Tem melhor destino...

E de salto em salto,
Deixa o que é chato,

Vai indo, vai indo.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

A planta

(Para Tatiana Sinay, meu amor planta)
Plantei-te no quintal de casa,
Perto das laranjeiras, onde a terra
Conserva umidade e os passarinhos,
Vem-te sorrir nos finais de tarde.
Por onde passa uma nesga de água...
Que é bem pouca, é verdade,
Mas não é de maldade.
Se reparar bem,
Pelo fio fino de água
Há certa nostalgia,
Uma suavidade só sentida
Nas coisas discretas...
Passa por ti serena,
Constante,
Cumprindo o papel:
Te matar a sede.
Coloquei-te, devagarzinho,
Numa cerca de palha dourada,
Onde em noites de muito frio,
Cubro teus sonhos
Com toalha de flanela quadriculada.
Como gosto de te ver sonhar!
Ás vezes nem me faço notar...
Pego no sono alí mesmo,
Entre teus sonhos.
Sonhos de planta grande,
Mas não essas grandes estranhezas!
São grandezas, essas tuas,
De fazer sonhar gente também.
São de som e de frescor,
Coisa pouca, crescer diferente.
Tem dias, quando meu coração bate mais fraco,
Que te reparo e me ponho a rir contigo.
E tuas folhas ficam de vibrar...
Deixando o ar cheio de graça!
Aí, tudo que é planta ri junto,
E já nem me lembro das asneiras do meu peito,
Porque ele entende de repente,
As esperanças.
Nessas horas guardo bem teu riso,
Pra não esquece-lo,
Quando o tempo das distâncias chegar.
Plantei-te no quintal , é verdade...
Para nunca sentir saudade dolorida,
Para sempre sentir perfume,
E pra que todas as manhã sejam alegrias,
Por perto de minha casa.
-

terça-feira, 2 de junho de 2009