Raios solares de mesmo incômodo
Atingem-me como de costume,
Os sons não param de insistir,
Enquanto me espreguiço
Pelos lençóis agitados
Da cama, mesma, desde menina.
Levanto para um banho
Quente, muito quente.
Há óleo em meu corpo
E no ralo se perde a espuma.
Minha tez espera
O momento em que as vestes
Enfeitarão seus acinzentados.
Penso na noite, mesma,
Desejando acobertar-me
Pelas horas de um sono
Calmo.
Percebo em meus desejos, mesmos,
Que sou uma mulher cansada
E anseio pelas vozes dos falsos
Calares.
quarta-feira, 31 de outubro de 2007
sexta-feira, 26 de outubro de 2007
Sambinha de tudo que vai.
Morena, meu doce,
Vou-me embora.
É chegada a hora
Do adeus
Morte de viver.
Não se acanhe em chorar
Mas não teima, vou voltar,
Pros teus braços,meu querer.
Vou selado pelos silvos
No meu peito um remendo
De seus olhos sempre vivos.
Morena, meu doce
Vou-me indo devagar.
Vê a lua,
Vê o mar!
Ouve samba
Pois num samba
Mora a dor de ser quem é,
No samba, morena,
Encontramos bons motivos.
Fecha teus olhos castanhos
Que num piscar volto vivo
Deixo aqui a canção
E levo no bolso o refrão
Das notas que estive contigo.
Vou-me embora.
É chegada a hora
Do adeus
Morte de viver.
Não se acanhe em chorar
Mas não teima, vou voltar,
Pros teus braços,meu querer.
Vou selado pelos silvos
No meu peito um remendo
De seus olhos sempre vivos.
Morena, meu doce
Vou-me indo devagar.
Vê a lua,
Vê o mar!
Ouve samba
Pois num samba
Mora a dor de ser quem é,
No samba, morena,
Encontramos bons motivos.
Fecha teus olhos castanhos
Que num piscar volto vivo
Deixo aqui a canção
E levo no bolso o refrão
Das notas que estive contigo.
quarta-feira, 17 de outubro de 2007
Felicidades

( Para meu filho que revela tanta vida em apenas um ano)
Hoje fez ano
Que o furor soprou manso
Nesses dias que seguiram.
Lençóis, camas e cantos
Tornaram pequeno piado
Enquanto seus olhos dormiam.
Dos quentes que habitavam
Ainda resta o telhado
Enquanto um azular, nos passos, ascende.
De modo que o encanto,
Depois de ano, de sons e horas,
Calhou de ser abrigo.
Por ser feita assim essa casa
De frescas em raios magenta
Da janela vê-se, não é raro,
Verdinhos ramos de menta.
-
terça-feira, 16 de outubro de 2007
O cardápio da Joaninha ( Para Paulinho e outras crianças)
Redonda pela sombrinha
Com seu vestido vermelho
Todo pintado em bolinhas
Parece uma senhorinha
Essa Joaninha.
Andando assim pela folha
Numa miudeza, escondidinha.
Dia desses veio o pulgão
Temeroso, olhando os lados
Perguntou da Joaninha
E foi saindo, assim de lado.
Não entendi a agonia
Desse bichinho invocado!
Mas não é que me contaram
Numa certa ocasião
Que bom prato, para Joaninha,
É o apetitoso pulgão.
Não poderia adivinhar,
Que ao olhar o bichinho daquele jeito,
A Dona Joaninha queria mesmo
Era encher sua pançinha.
Com seu vestido vermelho
Todo pintado em bolinhas
Parece uma senhorinha
Essa Joaninha.
Andando assim pela folha
Numa miudeza, escondidinha.
Dia desses veio o pulgão
Temeroso, olhando os lados
Perguntou da Joaninha
E foi saindo, assim de lado.
Não entendi a agonia
Desse bichinho invocado!
Mas não é que me contaram
Numa certa ocasião
Que bom prato, para Joaninha,
É o apetitoso pulgão.
Não poderia adivinhar,
Que ao olhar o bichinho daquele jeito,
A Dona Joaninha queria mesmo
Era encher sua pançinha.
quarta-feira, 10 de outubro de 2007
Chegados calores

No instante em que as águas aquecem
Descem da pirambeira
Nuvens estreitadas em branco.
O calor, que era jura,
Cumpri-se em transparência
E eu sei, já era tempo
Das roupas secarem.
Corpos se achegam na areia
Protegidos pelas horas,
Que agora, são de bem viver.
As prosas são de meninice
E uma comichão fervilha
Calcanhares distraídos.
Chamas horizontais
Chamam e o cio atende,
Enquanto silhuetas coloridas
Douram seus calores
Descem da pirambeira
Nuvens estreitadas em branco.
O calor, que era jura,
Cumpri-se em transparência
E eu sei, já era tempo
Das roupas secarem.
Corpos se achegam na areia
Protegidos pelas horas,
Que agora, são de bem viver.
As prosas são de meninice
E uma comichão fervilha
Calcanhares distraídos.
Chamas horizontais
Chamam e o cio atende,
Enquanto silhuetas coloridas
Douram seus calores
Com seus pudores ao léu.
-
Foto: Paloza (http://www.flickr.com/photos/superpalaativar)
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
Cansadas

Tropeço em seus contornos
Todo santo dia desde o primeiro choro.
Escorro por veias
Enquanto o sol, ainda morno,
Consterna-me em pensamentos.
Suas manhãs sempre me foram caras,
Muito embora as tardes,
Inundem-me de saudades tenras.
Horas chegam em primeiro
E meu lento coração implora,
Pelos segundos fracionados.
A passarada ruma aos montes,
Por cima das casas coloridas
E fito por entre as vigas...
Pessoas rumam em bando,
Pras bandas de algum lugar.
Ai, esse mar...
Tanta água umedece
Os cálculos das minhas fugas
Rabiscadas em papeis de seda.
A cidade me concreta em queixa,
Confessa-me uma agonia tanta,
Que roga aos meus rompantes
Algum suspiro manso.
Todo santo dia desde o primeiro choro.
Escorro por veias
Enquanto o sol, ainda morno,
Consterna-me em pensamentos.
Suas manhãs sempre me foram caras,
Muito embora as tardes,
Inundem-me de saudades tenras.
Horas chegam em primeiro
E meu lento coração implora,
Pelos segundos fracionados.
A passarada ruma aos montes,
Por cima das casas coloridas
E fito por entre as vigas...
Pessoas rumam em bando,
Pras bandas de algum lugar.
Ai, esse mar...
Tanta água umedece
Os cálculos das minhas fugas
Rabiscadas em papeis de seda.
A cidade me concreta em queixa,
Confessa-me uma agonia tanta,
Que roga aos meus rompantes
Algum suspiro manso.
-
Foto: Tiago Lima (http://www.tiagolima.com/)
terça-feira, 25 de setembro de 2007
Varanda do Pau D'arco
Acordo na varanda
Da casa alva de antes.
No céu
O claro anil
Com seus pássaros de chegada
Dizem-me por onde passei.
Respiro tão fundo
Como se um novo nascer
Fosse possível nessa hora do dia.
Recordo o Cajueiro.
Seu lugar ainda seu
Declara uma ausência marrom.
E já em terra crespa
Crescem os primeiros verdes.
Assovio alguma canção antiga,
Alguma memória escondida
Nas frestas, nos vãos, nos rachados...
E me vem, sempre bem vinda,
Aquela dos tempos dos rios,
Das feiras, dos peixes salgados.
Da casa alva de antes.
No céu
O claro anil
Com seus pássaros de chegada
Dizem-me por onde passei.
Respiro tão fundo
Como se um novo nascer
Fosse possível nessa hora do dia.
Recordo o Cajueiro.
Seu lugar ainda seu
Declara uma ausência marrom.
E já em terra crespa
Crescem os primeiros verdes.
Assovio alguma canção antiga,
Alguma memória escondida
Nas frestas, nos vãos, nos rachados...
E me vem, sempre bem vinda,
Aquela dos tempos dos rios,
Das feiras, dos peixes salgados.
quarta-feira, 19 de setembro de 2007
Ai,essa mulata...(Da serie Mámá e eu)

A mulata passa.
O seu vestido de feira
Parece encurtar aos Domingos.
Os brincos, colar e pulseiras,
De cor dourado madeira
Tilintam um som de inspirar.
A mulata caçoa, toda boa, é dona de si.
Aos Domingos sua carne tem cheiro de bicho.
Ao toque do sino da igreja
Rum, ínsita pecar...
Rebolando ela vai de um jeito
Que nem o caboclo mais direito
Consegue deixar de espiar.
-
(Tela:Mayana Borges)
-
(Tela:Mayana Borges)
Tum tum tum(Da serie Mámá e eu)

Tum tum tum
Lá vem
Tum tum tum
Tambor
Vem dançando, vem
Feito bêbo, ôiô
Se agachando, vem
Tão pertinho assim
Meu coração inteiro
Fica miudin
Tenho medo, nêga
De assombração
Dessas que no terreiro
Surge no barracão
Por que me trouxe aqui?
Num sabe que tenho pavor?
Tum tum tum
Lá vem
Tum tum tum
Tambor
Vem dançando, vem.
Feito bêbo, ôiô.
Lá vem
Tum tum tum
Tambor
Vem dançando, vem
Feito bêbo, ôiô
Se agachando, vem
Tão pertinho assim
Meu coração inteiro
Fica miudin
Tenho medo, nêga
De assombração
Dessas que no terreiro
Surge no barracão
Por que me trouxe aqui?
Num sabe que tenho pavor?
Tum tum tum
Lá vem
Tum tum tum
Tambor
Vem dançando, vem.
Feito bêbo, ôiô.
-
(Tela:Mayana Borges)
A nêga e Ana(Da serie Mámá e eu)

Ô, nêga
Tu contou a Ana coisa de traição.
Marcou com ela
Em pleno dia
Dia amarelo
Com fogo nas bêra.
Foi justamente com Ana
Que a nega foi falar.
Falou tudo
Das marca no corpo dele.
Do perfume alecrim
Da tristeza, da saudade
Do fim.
Chorou todo o tempo
Com tanta ingratidão.
A Ana só olhava
Sem dizer nem sim
Nem não.
Foi justamente com Ana
Que a nêga foi falar
Logo a Ana,
Logo a Ana!
Quem a nega quer matar...
Mas a nêga num sabe.
Tu contou a Ana coisa de traição.
Marcou com ela
Em pleno dia
Dia amarelo
Com fogo nas bêra.
Foi justamente com Ana
Que a nega foi falar.
Falou tudo
Das marca no corpo dele.
Do perfume alecrim
Da tristeza, da saudade
Do fim.
Chorou todo o tempo
Com tanta ingratidão.
A Ana só olhava
Sem dizer nem sim
Nem não.
Foi justamente com Ana
Que a nêga foi falar
Logo a Ana,
Logo a Ana!
Quem a nega quer matar...
Mas a nêga num sabe.
-
(Tela:Mayana Borges)
Mãe preta(Da serie Mámá e eu)
Trabáio de nêgo(Da serie Mámá e eu)

Foi trabáio, minha irmã
Que separou meu bem de mim.
Que separou meu bem de mim.
Eu juro que vi na encruziada
Um nêgo de juêio
Vestido de pano vermêio
Pegando prato de barro!
Vestido de pano vermêio
Pegando prato de barro!
Ele me ôiô com zói de fogo
Foi lá, na encruziada
Ele deu uma gargaiada
Que ecoou por toda Ondina.
Foi lá, na encruziada
Ele deu uma gargaiada
Que ecoou por toda Ondina.
Eu rezei, mas não deu sorte
O nego bafô o pote
Dançano uma dança de bêbo
Com tudo em vorta avuando
Quando foi de manhãzinha, minha irmã
Meu pretinho foi-se embora
Nem os chamego na porta
Fez o home vortá.
Choro de noite e de dia
Tamanha a minha agonia
Desde que ele desceu de lá...
O nego bafô o pote
Dançano uma dança de bêbo
Com tudo em vorta avuando
Quando foi de manhãzinha, minha irmã
Meu pretinho foi-se embora
Nem os chamego na porta
Fez o home vortá.
Choro de noite e de dia
Tamanha a minha agonia
Desde que ele desceu de lá...
Foi trabáio, minha irmã
Foi sim!
Foi sim!
Que separou meu bem de mim.
-
(Tela: Mayana Borges)
terça-feira, 18 de setembro de 2007
Cacoetes
Sinais exercitam seus motivos
Agitam as tramas deste corpo.
Me movimento entre você e adiante.
Ontem será outro dia...
Repito esses reflexos involuntários
Evocando publicamente
Nossas velhas felicidades.
Agitam as tramas deste corpo.
Me movimento entre você e adiante.
Ontem será outro dia...
Repito esses reflexos involuntários
Evocando publicamente
Nossas velhas felicidades.
quarta-feira, 12 de setembro de 2007
FilhoIII
segunda-feira, 10 de setembro de 2007
Café das Oliveiras( Para minha mãe)
Pus-me em seu lugar. A fundura atribuída a seu peso me faz acomodar o corpo de maneira confortável. Fixei-me nas rugas que beiram seu olhar verde, a sobrancelha fina, noutro tempo era moda e você inda era moça e eu nem era ainda. As pinças puxaram os fios. Finas simplesmente, me parecem saber do que se tratam os navios, as paisagens, o Café das Oliveiras. O modo como se colocam sobre seu rosto, apesar do pressuposto, te tornam um tico frágil. Meu olhar, em ti, encontra mesmos caminhos, bares e esperas.
E, embora não vivamos no mesmo porto, a porta ainda junta as madeiras do Pinheiro.
Inda há os anéis postos sobre a mesa de centro, quando os aços se desdobram pela cama feita.
Pus-me em seu lugar. Nos contos da Carochinha. Repetindo as mesmas ênfases dos diálogos. Porque se repete o que não se pode largar. Cada palavra dizia seu nome e não pude deixar de rir. Nessas horas sem que nem pra que é que te encontro. Não há como não ser, já que os bichos estão em migração, mas de certo que voltam para mesmas terras. Seus filhos também. E os filhos deles... Até Deus sabe quando. Tudo junta no mesmo lugar, porque sair mesmo, ninguém é capaz. Cada piar é volta e me entorno em suas beiras, nessa primeira vez... Para retornar a mim e saber qual de mim irá partir. Quais partidas serão. Quais pedaços seus e meus.
E, como mãe que sou nesse tempo, tudo arde um pouco mais. Talvez por isso seu lugar seja tão fundo. A água já não cobre muito. Os olhos viram espelhos.
Pus-me em seu lugar.
Coisa que nunca tinha feito. Era cria. Diabo. Mato.
Mas hoje me atrevi.
Respirei seu ar cansado.
Como cansa respirar...
Sustentei cada músculo seu numa tentativa de revés.
Suas toalhas.
Desdobrei os lenços antigos.
Guardanapos.
Tecidos.
Enxuguei-me em véus guardados pra mim.
Pus-me em seu lugar
E nos seus olhos, vi os meus, de repente.
E, embora não vivamos no mesmo porto, a porta ainda junta as madeiras do Pinheiro.
Inda há os anéis postos sobre a mesa de centro, quando os aços se desdobram pela cama feita.
Pus-me em seu lugar. Nos contos da Carochinha. Repetindo as mesmas ênfases dos diálogos. Porque se repete o que não se pode largar. Cada palavra dizia seu nome e não pude deixar de rir. Nessas horas sem que nem pra que é que te encontro. Não há como não ser, já que os bichos estão em migração, mas de certo que voltam para mesmas terras. Seus filhos também. E os filhos deles... Até Deus sabe quando. Tudo junta no mesmo lugar, porque sair mesmo, ninguém é capaz. Cada piar é volta e me entorno em suas beiras, nessa primeira vez... Para retornar a mim e saber qual de mim irá partir. Quais partidas serão. Quais pedaços seus e meus.
E, como mãe que sou nesse tempo, tudo arde um pouco mais. Talvez por isso seu lugar seja tão fundo. A água já não cobre muito. Os olhos viram espelhos.
Pus-me em seu lugar.
Coisa que nunca tinha feito. Era cria. Diabo. Mato.
Mas hoje me atrevi.
Respirei seu ar cansado.
Como cansa respirar...
Sustentei cada músculo seu numa tentativa de revés.
Suas toalhas.
Desdobrei os lenços antigos.
Guardanapos.
Tecidos.
Enxuguei-me em véus guardados pra mim.
Pus-me em seu lugar
E nos seus olhos, vi os meus, de repente.
terça-feira, 4 de setembro de 2007
Patchuli
A antiga mesa
Range ao leve toque.
O tempo passa para as coisas.
Passamos ao passo rangendo.
Meu pai dizia,
Que o que a gente leva da vida
É a vida que a gente leva.
Meu pai passou,
Mas levou a sua prenda.
O cheiro de Patchuli de suas camisas
Ainda circula no armário.
Os tecidos foram.
A essência escolhida por tantos anos
Não teve frestas por onde escapar.
Hoje passei horas olhando a mesa,
Suas cadeiras de madeira,
Seus pés suportando o peso frio...
Imagino se ela quer descansar,
Se a história já lhe é uma carga muito mais pesada
Que o mármore branco estendido
Por tanto tempo em sua altura.
O tempo passa para as coisas.
Passamos ao passo rangendo.
Recordamo-nos eu e a mesa
Serenas.
Range ao leve toque.
O tempo passa para as coisas.
Passamos ao passo rangendo.
Meu pai dizia,
Que o que a gente leva da vida
É a vida que a gente leva.
Meu pai passou,
Mas levou a sua prenda.
O cheiro de Patchuli de suas camisas
Ainda circula no armário.
Os tecidos foram.
A essência escolhida por tantos anos
Não teve frestas por onde escapar.
Hoje passei horas olhando a mesa,
Suas cadeiras de madeira,
Seus pés suportando o peso frio...
Imagino se ela quer descansar,
Se a história já lhe é uma carga muito mais pesada
Que o mármore branco estendido
Por tanto tempo em sua altura.
O tempo passa para as coisas.
Passamos ao passo rangendo.
Recordamo-nos eu e a mesa
Serenas.
segunda-feira, 3 de setembro de 2007
Primavera
Sombras coloridas
Arqueiam-se num aceno.
De um longe/perto,
Ela se insinua,
Mais esse ano.
Inverno, por aqui, nem houve...
Apenas burburinho de chuvisco
Rondou pela cidade
E as famosas gotas densas
Nem passaram das balaustradas.
Ela se refaz
Em estação, em pétalas.
Flores reclamam amores.
São promessas das vontades
Passeiam juntas e,quando sós,
Derramam fresco perfume,
Indicando o caminho a seguir,
Antes do encontro de fervor
Com o deus desse hemisfério.
Vez de desabrochar
Pele
Suspiros
Beatitudes
Primavera, em verdade, é princípio.
É folha nova, que acaricia em cores,
O carbono das pegadas.
Arqueiam-se num aceno.
De um longe/perto,
Ela se insinua,
Mais esse ano.
Inverno, por aqui, nem houve...
Apenas burburinho de chuvisco
Rondou pela cidade
E as famosas gotas densas
Nem passaram das balaustradas.
Ela se refaz
Em estação, em pétalas.
Flores reclamam amores.
São promessas das vontades
Passeiam juntas e,quando sós,
Derramam fresco perfume,
Indicando o caminho a seguir,
Antes do encontro de fervor
Com o deus desse hemisfério.
Vez de desabrochar
Pele
Suspiros
Beatitudes
Primavera, em verdade, é princípio.
É folha nova, que acaricia em cores,
O carbono das pegadas.
sexta-feira, 31 de agosto de 2007
Conversa da tarde
Os livros sussurram
A essa hora da tarde.
Rendidos
Versos, verbos, vírgulas
Ao lençol de névoa
Que contorna o assoalho da entrada.
Estremecido entardecer.
Derrete-se em céus
Envolve arranha céus
Contenta-se em nuvens.
Os livros nas gavetas conversam.
Ao se pôr, seria o final triste,
Não fosse o sigilo
Morada de vozes familiares.
Entardece.
Os livros cochicham.
Passos desandam
Espumas retornam
Num comungar de despedidas.
A essa hora da tarde.
Rendidos
Versos, verbos, vírgulas
Ao lençol de névoa
Que contorna o assoalho da entrada.
Estremecido entardecer.
Derrete-se em céus
Envolve arranha céus
Contenta-se em nuvens.
Os livros nas gavetas conversam.
Ao se pôr, seria o final triste,
Não fosse o sigilo
Morada de vozes familiares.
Entardece.
Os livros cochicham.
Passos desandam
Espumas retornam
Num comungar de despedidas.
sexta-feira, 24 de agosto de 2007
O baile do vento (para o filho)
Vê o vento e a pena. A condução suave em que se envolvem e respiram. Coisa viva é vento e pena!Coisa minha e coisa sua, assim como somos coisas do instante.
Sente o sol dessa manhã, como seus filetes de ouro acordam o rosto num carinho mudo. Calor. Vivo. Quente. Como é presente a sua cor amarela, sobre as copas folhosas das árvores. Vê meu filho, aquele barco que vai longe...
Pelo imenso azul que o sustenta, ele segue. Pequeno ponto solitário. Dentro de seu velho corpo de madeira há um homem. Dentro do homem um desejo. Dentro do desejo a esperança e, a esperança, meu anjo, é mar.
Filho, os homens são tecidos em emoções... Assim como a dança entre a pena e o vento. Assim como o sol acordado em todas as manhãs. Assim como a estrada azul d’água e o barco que persevera.São feitos da mesma areia.Das correntes.Do tempo.
O homem carrega a coragem de vir a ser suas vontades e sua história o marca numa conseqüência eterna. A história é filho que cresce sem nunca poder ser parido. Por isso há homens e homens. Histórias e história. E há você, há eu e há nós.
Talvez entender a fita que ata cada outra fita seja tarefa de pra sempre. Seja a vida mesmo. Só.
Sabe meu filho, aquela pena nos mostra os braços do vento. Cada gesto emocionado por ele, emociona a pena leve e faz garoa em minhas terras. São nesses momentos, que brota, dentro, causa sem nome e que nunca irá se tornar concreta em nenhuma forma de expressão.
Vê meu amor, minha semente...
As conchas. A praia, moça bonita, suas curvas. O sal. Ferrugens nas grades. O sal.
Há horas em que escorre nas valas sangue de gente. Balas zunindo. Facas de aço. Aço de foice. Gritos sem fim. Sangue de gente. Noites sem fim. Gente deitada. Aço de fim.
Mas isso, criança, é coisa pros olhos dos grandes, e você não há de cismar por agora.
Basta-lhe catar as conchas. O rio e suas margens. As pedras dentro d’água.A água.O vento.
Vê...
Meu amor, a vida é vento.
O chorar da sua muda dança com a pena...
Entende o que digo?
A vida. O vento. A pena.
Sente o sol dessa manhã, como seus filetes de ouro acordam o rosto num carinho mudo. Calor. Vivo. Quente. Como é presente a sua cor amarela, sobre as copas folhosas das árvores. Vê meu filho, aquele barco que vai longe...
Pelo imenso azul que o sustenta, ele segue. Pequeno ponto solitário. Dentro de seu velho corpo de madeira há um homem. Dentro do homem um desejo. Dentro do desejo a esperança e, a esperança, meu anjo, é mar.
Filho, os homens são tecidos em emoções... Assim como a dança entre a pena e o vento. Assim como o sol acordado em todas as manhãs. Assim como a estrada azul d’água e o barco que persevera.São feitos da mesma areia.Das correntes.Do tempo.
O homem carrega a coragem de vir a ser suas vontades e sua história o marca numa conseqüência eterna. A história é filho que cresce sem nunca poder ser parido. Por isso há homens e homens. Histórias e história. E há você, há eu e há nós.
Talvez entender a fita que ata cada outra fita seja tarefa de pra sempre. Seja a vida mesmo. Só.
Sabe meu filho, aquela pena nos mostra os braços do vento. Cada gesto emocionado por ele, emociona a pena leve e faz garoa em minhas terras. São nesses momentos, que brota, dentro, causa sem nome e que nunca irá se tornar concreta em nenhuma forma de expressão.
Vê meu amor, minha semente...
As conchas. A praia, moça bonita, suas curvas. O sal. Ferrugens nas grades. O sal.
Há horas em que escorre nas valas sangue de gente. Balas zunindo. Facas de aço. Aço de foice. Gritos sem fim. Sangue de gente. Noites sem fim. Gente deitada. Aço de fim.
Mas isso, criança, é coisa pros olhos dos grandes, e você não há de cismar por agora.
Basta-lhe catar as conchas. O rio e suas margens. As pedras dentro d’água.A água.O vento.
Vê...
Meu amor, a vida é vento.
O chorar da sua muda dança com a pena...
Entende o que digo?
A vida. O vento. A pena.
sábado, 18 de agosto de 2007
Navegante
Restou o despetalar floral
Incrustada na madeira lisa
E o vento arou brisas
Perto da jardineira.
O mar da vez borda um azul claro,
Que parece brandura sempre.
Tempestades se escondem
Na lonjura do horizonte
Nas distâncias dos silêncios.
Longe daqui há um casebre,
E do casebre vê-se a cidade.
O mundo se faz em berços.
Daqui o mar parece estar
Na cabeceira em que vontades deságuam
Levando a pés pequenos
Chinelos de águas morenas.
Incrustada na madeira lisa
E o vento arou brisas
Perto da jardineira.
O mar da vez borda um azul claro,
Que parece brandura sempre.
Tempestades se escondem
Na lonjura do horizonte
Nas distâncias dos silêncios.
Longe daqui há um casebre,
E do casebre vê-se a cidade.
O mundo se faz em berços.
Daqui o mar parece estar
Na cabeceira em que vontades deságuam
Levando a pés pequenos
Chinelos de águas morenas.
sexta-feira, 17 de agosto de 2007
Gameleira

Calçado paraíso santo
De igreja e pedrarias.
Alí, onde altar é areia,
Os santos são verdes ramos,
Os santos são verdes ramos,
Que pelos altos serpenteiam.
Alí, onde o céu rompe em manto,
O sol toca o couro novo,
Das crianças, das danças, das casas vizinhas.
Onde o caminho leve, leva a reza,
Que o corpo, aqui, faz jazigo.
Alí nossa casa.
quarta-feira, 15 de agosto de 2007
Pontos
Escrevo na busca de algo
Que jamais encontrarei.
A palavra possui meus verbos
Enquanto recebo seus avais.
Correntes se anelam
Sem que ao menos estalem
Em minha percepção.
Na fraca lucidez que me sobra
Escrevo
Em sinais brancos de incertezas.
Que jamais encontrarei.
A palavra possui meus verbos
Enquanto recebo seus avais.
Correntes se anelam
Sem que ao menos estalem
Em minha percepção.
Na fraca lucidez que me sobra
Escrevo
Em sinais brancos de incertezas.
A estrada

Na mesma estrada estou.
Barro cuspido em meus tornozelos
E perdida dos meus olhos
A casa caiada entre coqueiros.
A mesma estrada e há outra do outro lado
Outra margem, outra ponta,
Outro céu, outros anelados desejos.
Ao passo da-se a força
E a marcada pegada, ainda fosca,
Afundada em travesseiros.
Na mesma estrada se foi
Alguém que por pouco não lembro
Não ser por essas palavras restadas
Na margem, outra, da estrada
A qual, sem esforço, não vejo.
De cima da ribanceira
Um pé de tamarindos azedos
Em vagem cantam
Dos doces de não partir.
Barro cuspido em meus tornozelos
E perdida dos meus olhos
A casa caiada entre coqueiros.
A mesma estrada e há outra do outro lado
Outra margem, outra ponta,
Outro céu, outros anelados desejos.
Ao passo da-se a força
E a marcada pegada, ainda fosca,
Afundada em travesseiros.
Na mesma estrada se foi
Alguém que por pouco não lembro
Não ser por essas palavras restadas
Na margem, outra, da estrada
A qual, sem esforço, não vejo.
De cima da ribanceira
Um pé de tamarindos azedos
Em vagem cantam
Dos doces de não partir.
Na mesma estrada estou.
E assim será o rumo
Pois se a vida nela é talhada
Como em mim não será grada,
Se por entre gordas várzeas
Eu vou?
Na mesma estrada estou.
Busco o rio, busco a ponte,
E a Dama logo defronte
Mostra pr’onde mesmo que vou.
E assim será o rumo
Pois se a vida nela é talhada
Como em mim não será grada,
Se por entre gordas várzeas
Eu vou?
Na mesma estrada estou.
Busco o rio, busco a ponte,
E a Dama logo defronte
Mostra pr’onde mesmo que vou.
-
quinta-feira, 9 de agosto de 2007
Marias,mulheres,respostas
Sei mulher, do talho que ao fundo se fez. Dos mares que atravessou na roxa busca ávida do que deixou em terra salgada. Vi. Pois sua carne é minha, mulher, seus olhos olharem um ventre em busca do desejo mãe em ter uma vida. Sua. Dentro. Pulso.
No caminho nos encontramos mulher, sem ao menos nos encontrarmos de fato. Feito prece. Feito pedido. Feito esperança. Encontramos-nos no amor e por ele se mata e morre. Por ele se sangra e cura.
Suas lágrimas culparam minh’alma, mas pecados possuem a graça de ninar pesares. O demônio turvo, que erguia em meu dorso, dormiu solto no dia em que chorei ao pé da cruz.
Era sua imagem em rio limpo, santa tez agraciada! Qual minha regalia?Na correnteza envolta em galhos, vi seu rosto em traços bentos, mostrar-me que era mulher, mulher de fato. E as mulheres, assim como eu, nunca tocaram na vida um rosário.
Veja daqui, que de onde jamais saímos, somos as mesmas. Santas, mulheres, não importa por qual alcunha.
Folhas do Tempo, esse sim: Homem, livro,Deus e grama, secaram.
Passado Outono, o inverno fecunda as sementes nascentes.
No caminho nos encontramos mulher, sem ao menos nos encontrarmos de fato. Feito prece. Feito pedido. Feito esperança. Encontramos-nos no amor e por ele se mata e morre. Por ele se sangra e cura.
Suas lágrimas culparam minh’alma, mas pecados possuem a graça de ninar pesares. O demônio turvo, que erguia em meu dorso, dormiu solto no dia em que chorei ao pé da cruz.
Era sua imagem em rio limpo, santa tez agraciada! Qual minha regalia?Na correnteza envolta em galhos, vi seu rosto em traços bentos, mostrar-me que era mulher, mulher de fato. E as mulheres, assim como eu, nunca tocaram na vida um rosário.
Veja daqui, que de onde jamais saímos, somos as mesmas. Santas, mulheres, não importa por qual alcunha.
Folhas do Tempo, esse sim: Homem, livro,Deus e grama, secaram.
Passado Outono, o inverno fecunda as sementes nascentes.
Primavera anuncia belas cores nas sacadas.
Uma mãe nasceu de dia e a noite não é mais viva.
Depois que frutos rompem auroras, manhãs têm cor de calma em horizontes certos.
Meus frutos, os meninos, em alguma instância também são seus, como são de tanta gente.Como são meus seus pés. Como não querer o amor, se tanto há dele em mim?
Agora, mulher, façamos mais essa prece.
Pais Nossos. Agruras, ternuras, caminhos...
Mãos úmidas, querida, transpiram em suas, para que conseqüências da vida, sejam refeitas em escolha de bom agora.
Ave Marias!
Por bem,
Amém.
Uma mãe nasceu de dia e a noite não é mais viva.
Depois que frutos rompem auroras, manhãs têm cor de calma em horizontes certos.
Meus frutos, os meninos, em alguma instância também são seus, como são de tanta gente.Como são meus seus pés. Como não querer o amor, se tanto há dele em mim?
Agora, mulher, façamos mais essa prece.
Pais Nossos. Agruras, ternuras, caminhos...
Mãos úmidas, querida, transpiram em suas, para que conseqüências da vida, sejam refeitas em escolha de bom agora.
Ave Marias!
Por bem,
Amém.
segunda-feira, 6 de agosto de 2007
Para Cláudio
Ofereço-lhe o cansaço
Regaço do meu corpo
Tombado pelos afazeres diários.
Os sóis são duros raios
Que convergem em minha côncava estrutura.
Só sua fala é bálsamo
Para minhas ordinárias mazelas.
Sua respiração
Corrente de vento desvendando
Dúvidas corriqueiras.
Estarás sim em mim
Como essas estrelas
Que habitam o céu
E que, mesmo mortas
Há anos luz, ainda refletem-se
Nos mares.
Guardarei sua paz como quem guarda
Uma prece de criança
Que ao pé da cama pede pelos que ama.
Mesmo que eu morra em teus olhos,
Que meu brilho visto por ti se esvaia
Num caldo seco de não sentir,
Sua face pra mim será terna,
Eterna na tez do filho,
Nosso que nós tivemos.
Regaço do meu corpo
Tombado pelos afazeres diários.
Os sóis são duros raios
Que convergem em minha côncava estrutura.
Só sua fala é bálsamo
Para minhas ordinárias mazelas.
Sua respiração
Corrente de vento desvendando
Dúvidas corriqueiras.
Estarás sim em mim
Como essas estrelas
Que habitam o céu
E que, mesmo mortas
Há anos luz, ainda refletem-se
Nos mares.
Guardarei sua paz como quem guarda
Uma prece de criança
Que ao pé da cama pede pelos que ama.
Mesmo que eu morra em teus olhos,
Que meu brilho visto por ti se esvaia
Num caldo seco de não sentir,
Sua face pra mim será terna,
Eterna na tez do filho,
Nosso que nós tivemos.
sexta-feira, 3 de agosto de 2007
Jabuiticaba
É tempo de Jabuticabas.
Incrível como me chamam atenção
Essas frutinhas de um roxo quase preto.
Falam-me repousadas e brilhosas nas bancas de frutas:
-Tempo, tempo...
Durante o ano, fico imaginando o momento
Em que me depararei despretensiosamente
Com sua graça em alguma esquina,
Quando roxas bolinhas estalaram
Seu sumo inundando minha boca
Com um doce rápido
E branco.
Falam-me do tempo, as Jabuticabas
Da paciência adocicada do encontro
Com eu e tu e o todo e as coisas e nós
Acenam a espera de um momento
Onde o passar é gratidão
E risonhas esferas serão certas
No momento certo de serem.
Quando em feiras, carrinhos de mão, sacolas
Elas se insinuam inchadas de suco
É a vez delas mostrarem sua safra
Até que sejam preteridas
Pelos sapotis e cajus
É a vez de degustarmos
Os açucares alí dados por elas.
-Tempo, tempo, falam baixinho
As Jabuticabas
Enquanto apreendo seus saborores
Grata pela semeadura.
Incrível como me chamam atenção
Essas frutinhas de um roxo quase preto.
Falam-me repousadas e brilhosas nas bancas de frutas:
-Tempo, tempo...
Durante o ano, fico imaginando o momento
Em que me depararei despretensiosamente
Com sua graça em alguma esquina,
Quando roxas bolinhas estalaram
Seu sumo inundando minha boca
Com um doce rápido
E branco.
Falam-me do tempo, as Jabuticabas
Da paciência adocicada do encontro
Com eu e tu e o todo e as coisas e nós
Acenam a espera de um momento
Onde o passar é gratidão
E risonhas esferas serão certas
No momento certo de serem.
Quando em feiras, carrinhos de mão, sacolas
Elas se insinuam inchadas de suco
É a vez delas mostrarem sua safra
Até que sejam preteridas
Pelos sapotis e cajus
É a vez de degustarmos
Os açucares alí dados por elas.
-Tempo, tempo, falam baixinho
As Jabuticabas
Enquanto apreendo seus saborores
Grata pela semeadura.
quarta-feira, 1 de agosto de 2007
Maracujá
Recostei-me num arvoredo
Que ficou debruçado
Na velha rodagem
Aninhe-me num vento lento
Que assoviou
Canções de antes
Um cheiro de maracujá
Cobriu minhas passagens
E respirei alaranjado
Tornei-me um tanto
Arvoredo
Vento
Maracujá
E nunca mais
Fui gente
Apenas.
Que ficou debruçado
Na velha rodagem
Aninhe-me num vento lento
Que assoviou
Canções de antes
Um cheiro de maracujá
Cobriu minhas passagens
E respirei alaranjado
Tornei-me um tanto
Arvoredo
Vento
Maracujá
E nunca mais
Fui gente
Apenas.
sábado, 28 de julho de 2007
Mar em sina
A rede no mar
Imenso colar
Os peixes que voltam
De força, entortam
A linha do ar
Mariazinha vem ver!
José vai pescar
De short de lista
Sem blusa a cantar.
Maria de beira
Reza um voltar
Mas quem diz que volta
Não sabe ficar.
O Zé foi pescar.
Maria chorando...
É sina de mar
Águas levando...
Imenso colar
Os peixes que voltam
De força, entortam
A linha do ar
Mariazinha vem ver!
José vai pescar
De short de lista
Sem blusa a cantar.
Maria de beira
Reza um voltar
Mas quem diz que volta
Não sabe ficar.
O Zé foi pescar.
Maria chorando...
É sina de mar
Águas levando...
Vai, neguinha!(Serie Mámá e eu)

Vai pra festa, neguinha
Hoje é dia de roda
De samba
De samba
Já sei pr'onde cê vai
Quando da esquina tu sai
Toda bamba
Toda bamba
No ar fico um cheiro
Gentil e certeiro
De lavanda
De lavanda
Vai pra festa, neguinha
Que o trabalho acabou
Caramba!
Caramba!
Vai pra festa, neguinha
Hoje não tem ladainha
Nem zanga
Nem zanga
Hoje é dia de roda
De samba
De samba
Já sei pr'onde cê vai
Quando da esquina tu sai
Toda bamba
Toda bamba
No ar fico um cheiro
Gentil e certeiro
De lavanda
De lavanda
Vai pra festa, neguinha
Que o trabalho acabou
Caramba!
Caramba!
Vai pra festa, neguinha
Hoje não tem ladainha
Nem zanga
Nem zanga
Noturna II
Noite ri
Preta Dama
Ama só.
Noite, note
Pó a pó.
Noite eu
Escuro dia
Ria ontem
Hoje fria
Ia...
Sob a noite
Só lhe dão
Marfim
Só.
Oh!noite
Assim
Assim.
Preta Dama
Ama só.
Noite, note
Pó a pó.
Noite eu
Escuro dia
Ria ontem
Hoje fria
Ia...
Sob a noite
Só lhe dão
Marfim
Só.
Oh!noite
Assim
Assim.
sexta-feira, 27 de julho de 2007
Para Vinicius
Não negue, benzinho.
Não dá pra não ser
Todo amor é criança
E do tanto que dança
Esquece de crescer
Benzinho, benzinho
Não dá, vai doer
Todo amor é ciranda
E do tanto que gira
Faz o mundo correr
Meu doce benzinho
Eu sei, vou te ver
Meu amor é querendo
E do tanto que quer
Lembra pouco de ser
Meu tolo benzinho
Eu sei vai morrer
Meu amor estação
E do tanto que passa
Vai passar por você
Então vem, benzinho
Faz queixa não
O relógio não para
E do tanto que fala
Não me abre o botão
Não dá pra não ser
Todo amor é criança
E do tanto que dança
Esquece de crescer
Benzinho, benzinho
Não dá, vai doer
Todo amor é ciranda
E do tanto que gira
Faz o mundo correr
Meu doce benzinho
Eu sei, vou te ver
Meu amor é querendo
E do tanto que quer
Lembra pouco de ser
Meu tolo benzinho
Eu sei vai morrer
Meu amor estação
E do tanto que passa
Vai passar por você
Então vem, benzinho
Faz queixa não
O relógio não para
E do tanto que fala
Não me abre o botão
Encontro II
Encontro-me comigo
Mostro vãos profundos
Entristeço
Nas minhas páginas
Amareladas manchas
Sentem tudo um tanto velho
Reconheço minha letra
Mas os adornos no topo
Não foram feitos de minha junção
Entristeço
Perdi a autoria
Lacunas se fizeram
Sem que o vazio
Revelasse sua forma
Esmoreço
Acomodada leio
De mim em mim
E fecho.
Mostro vãos profundos
Entristeço
Nas minhas páginas
Amareladas manchas
Sentem tudo um tanto velho
Reconheço minha letra
Mas os adornos no topo
Não foram feitos de minha junção
Entristeço
Perdi a autoria
Lacunas se fizeram
Sem que o vazio
Revelasse sua forma
Esmoreço
Acomodada leio
De mim em mim
E fecho.
sábado, 21 de julho de 2007
Pau, Linho (Para Paulinho e outra crianças)
É pau
- Au, au!
Vem cá bichinho
Vamos brincar?
Subir ladeira
(que é cadeira)
Deixa pra lá.
É alpinista
De pé bem sujo
Tem uma pista
Nesse sofá.
É linho
-Inho, Inho!
Vem cá nininho
Vamos nana?
Deitar na nuvem
(que é Dona cama)
Deixa pra lá.
Mamãe cansou
Papai também
Fecha os olhinhos
Dorme, meu bem.
É o Paulinho
-Bom dia, dia!
Vem cá manhã
Vamos brincar?
De descoberta
(que é vida)
Melhor brincar...
Mamãe te cuida
Passa um gelo
Se alguma queda
For de lascar.
Vem cá meu pau
Vem cá meu linho
Vem, meu benzinho
Treinar sonhar.
- Au, au!
Vem cá bichinho
Vamos brincar?
Subir ladeira
(que é cadeira)
Deixa pra lá.
É alpinista
De pé bem sujo
Tem uma pista
Nesse sofá.
É linho
-Inho, Inho!
Vem cá nininho
Vamos nana?
Deitar na nuvem
(que é Dona cama)
Deixa pra lá.
Mamãe cansou
Papai também
Fecha os olhinhos
Dorme, meu bem.
É o Paulinho
-Bom dia, dia!
Vem cá manhã
Vamos brincar?
De descoberta
(que é vida)
Melhor brincar...
Mamãe te cuida
Passa um gelo
Se alguma queda
For de lascar.
Vem cá meu pau
Vem cá meu linho
Vem, meu benzinho
Treinar sonhar.
Cantos iniciados em estantes
Do que ia dizer
Somem vestígios
Da boca cerrada
Imaculada mudez
Meus cantos em volume mínimo
Solfejam intervalos contínuos
Tentam falsetes de chão
Enquanto me espremo
Em vãs tentativas
Ruídos internos
Regressam minha voz
Pequeno balbucio
Na quina da estante
Sorri de engasgar
Todo refrão retorcido
Bandido, banido
Cerca-me em questão
Do que não era nota
Do que era apenas não coisa
Faz-se telha e porta
Faz-se janela e tijolo
Faz-se casa de Sol
Faz-se pequena cantante
Aprendiz vizinha
Dos cantos de estantes
Somem vestígios
Da boca cerrada
Imaculada mudez
Meus cantos em volume mínimo
Solfejam intervalos contínuos
Tentam falsetes de chão
Enquanto me espremo
Em vãs tentativas
Ruídos internos
Regressam minha voz
Pequeno balbucio
Na quina da estante
Sorri de engasgar
Todo refrão retorcido
Bandido, banido
Cerca-me em questão
Do que não era nota
Do que era apenas não coisa
Faz-se telha e porta
Faz-se janela e tijolo
Faz-se casa de Sol
Faz-se pequena cantante
Aprendiz vizinha
Dos cantos de estantes
quinta-feira, 19 de julho de 2007
Sobre as mães
Mães são circulares
Semi lares
Plantações
Contidas
Abertas
Como uma quase coisa
Equilibrada
Jardins
De rosa
Margarida
Gira
Sol?
Giram elas!
Redondas
Cilíndricas
Amarelas
São de voltas
Contornais
Mães são grandes
São gigantes
São ovais
Bolhas de sabão
Presas num fio
De amarração
Sempre gordas
Vivem suspensas
São imensas
Em céus pingados
De azuis
Semi lares
Plantações
Contidas
Abertas
Como uma quase coisa
Equilibrada
Jardins
De rosa
Margarida
Gira
Sol?
Giram elas!
Redondas
Cilíndricas
Amarelas
São de voltas
Contornais
Mães são grandes
São gigantes
São ovais
Bolhas de sabão
Presas num fio
De amarração
Sempre gordas
Vivem suspensas
São imensas
Em céus pingados
De azuis
Inverno II
Inverno
Continuo
Acinzentando
Azulando
Gotas em vidraças
Fingem caminhos
De chuva
Julho
Passada metade
Outra chegando...
Rios e mais rios
Em mim vão nascentes
Correntes
Torrentes
Incólumes
Seguem os sulcos
Água junta
Água boa
Pêlos, plantas
Ciclos, vincos
Cheia transbordante
Fruta fresca
Em silêncios
De manhãs
Continuo
Acinzentando
Azulando
Gotas em vidraças
Fingem caminhos
De chuva
Julho
Passada metade
Outra chegando...
Rios e mais rios
Em mim vão nascentes
Correntes
Torrentes
Incólumes
Seguem os sulcos
Água junta
Água boa
Pêlos, plantas
Ciclos, vincos
Cheia transbordante
Fruta fresca
Em silêncios
De manhãs
Inverno I
São frios os dias
Sem embarcações
Do mar
Pouco há
Da água de instantes
Tudo é vagaroso
Manto cinza
Enlaça de pernas
Horizontes
Barcos sonados
Em praias preguiças
Despertam saudades
Num esfriar quente
Prata adormece
Fio de gema
E esconde
Rubores
Conservados
Em vasilhas de argila
Os mares são solidões
São frios os dias
D'água
Sem barcos
Sem nada
Sem embarcações
Do mar
Pouco há
Da água de instantes
Tudo é vagaroso
Manto cinza
Enlaça de pernas
Horizontes
Barcos sonados
Em praias preguiças
Despertam saudades
Num esfriar quente
Prata adormece
Fio de gema
E esconde
Rubores
Conservados
Em vasilhas de argila
Os mares são solidões
São frios os dias
D'água
Sem barcos
Sem nada
quarta-feira, 18 de julho de 2007
Faroleiro
O seu amor
Farol impresso
Em breus
Pros meus navios
Derivam os ais
Sem cais
De calafrios
Ao norte num piscar
Forte
Guia meus prumos
Ao sul a ponta
Erguida em céu
Mostra meu rumo
Caminho em rotas
De areias brancas
Curvas finas
Baias boas
Côncavas, à toa
Esperam-me em guarida
Farolete, o seu amor
Em horizontes
Luz estendida
Doura o mar
Mapa de altar
Pra minha ida.
Farol impresso
Em breus
Pros meus navios
Derivam os ais
Sem cais
De calafrios
Ao norte num piscar
Forte
Guia meus prumos
Ao sul a ponta
Erguida em céu
Mostra meu rumo
Caminho em rotas
De areias brancas
Curvas finas
Baias boas
Côncavas, à toa
Esperam-me em guarida
Farolete, o seu amor
Em horizontes
Luz estendida
Doura o mar
Mapa de altar
Pra minha ida.
segunda-feira, 9 de julho de 2007
Essencial
Vida
Empoeirada
Cinza
Nas rodas
Mesmas notas
Ronda em mim
Fagulha
Do que perdi
(Gosto do bom perder)
Perdi a leitura
De alguma passagem
Passaram as rimas
Palavras cansadas
Danças frouxas
Seguiram uivos noturnos
Cães rajados
Em cores
Meu tempo
Os signos de um filho
Ao sorrir sem nem por que
Uma mão minha
Re trazida em carinho
O momento em que o céu
Me encontra em seus azuis
O tempo
A vida
Mais certos
Aqui
Empoeirada
Cinza
Nas rodas
Mesmas notas
Ronda em mim
Fagulha
Do que perdi
(Gosto do bom perder)
Perdi a leitura
De alguma passagem
Passaram as rimas
Palavras cansadas
Danças frouxas
Seguiram uivos noturnos
Cães rajados
Em cores
Meu tempo
Os signos de um filho
Ao sorrir sem nem por que
Uma mão minha
Re trazida em carinho
O momento em que o céu
Me encontra em seus azuis
O tempo
A vida
Mais certos
Aqui
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Nosso ar
sexta-feira, 29 de junho de 2007
Da despedida
Trocos sobre a mesa
Copo suado quente
Maçaneta debruçada
Ombro de tempo
Passos de chumbo
Adeus quase mudo
Vontades desesperando
Esse perfume feito tinta
Nodoa de tempo
Encruado
Nas paredes
No taco
Nas sobras
Em tudo.
Copo suado quente
Maçaneta debruçada
Ombro de tempo
Passos de chumbo
Adeus quase mudo
Vontades desesperando
Esse perfume feito tinta
Nodoa de tempo
Encruado
Nas paredes
No taco
Nas sobras
Em tudo.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Cores certas
Tenho a certeza
Azul
Das gentilezas da vida
Minhas memórias
Amarelas
Vivas
Meus olhos
Verdes
Moradas paisagens
Aconchegado meu sangue
Tinto
Em mãos de concha
Azul
Das gentilezas da vida
Minhas memórias
Amarelas
Vivas
Meus olhos
Verdes
Moradas paisagens
Aconchegado meu sangue
Tinto
Em mãos de concha
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Acordo com o tempo
Fiz um acordo com o tempo menino
Parei naquela margem
Onde o rio passa brincando
Com as pedras redondas do fundo
Parei naquela areia morna
Quarando ao sol
Rindo acalanto
Parados ainda em mim
O céu azul de Verão
Nuvens mudando cirandas
O toque do sol na terra
As árvores
As vidas sob as árvores...
Parei naquela margem
Onde o rio passa brincando
Com as pedras redondas do fundo
Parei naquela areia morna
Quarando ao sol
Rindo acalanto
Parados ainda em mim
O céu azul de Verão
Nuvens mudando cirandas
O toque do sol na terra
As árvores
As vidas sob as árvores...
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Fim da semana
Soube que alguém morrera
Numa manhã de Domingo...
A linha, ás vezes
É tão preta e branca
A linha da vida
Nas tantas palmas
Meus dedos percorreram palavras
Manchados de tinta, apenas.
Em ponteiros desconcertantes
As horas obedecem seu destino
Passam...
Ora dançarinas
Ora estátuas
Digitais em prateleiras
Provão tez
Pano passa
Foi-se a prova
Pregos lacram Cedro
Lenços dobram dor
Numa manhã de Domingo
Soube que alguém morrera
Bom dia para descansar.
Numa manhã de Domingo...
A linha, ás vezes
É tão preta e branca
A linha da vida
Nas tantas palmas
Meus dedos percorreram palavras
Manchados de tinta, apenas.
Em ponteiros desconcertantes
As horas obedecem seu destino
Passam...
Ora dançarinas
Ora estátuas
Digitais em prateleiras
Provão tez
Pano passa
Foi-se a prova
Pregos lacram Cedro
Lenços dobram dor
Numa manhã de Domingo
Soube que alguém morrera
Bom dia para descansar.
sexta-feira, 15 de junho de 2007
Noturna
Noturna
Esfria o corpo
Roupas de algodões
Em sua boca
Estrelas e luas e cometas e corujas
Descansam os parques.
Calçadas de entreabertos olhos
Vigiam os passos
Em pedras portuguesas
Adormecem
Muros e árvores e bancos e jardins...
Folhas reclamam igarapés
Os siriris
Em cirandas de luz
Aos montes
Cantam nomes
Em sérias ruelas
Cala o verbo
Nasce a pele
O corrimão delatador
Trinca estrondosamente
Sob as mãos de alguém que chega
As crianças nos berços
Sonham
Os poemas nos livros
Amam
As chuvas nos telhados
Tilintam
Noturna
Chega como de costume...
Com suas luas e estrelas e cometas e corujas
E céus e bocas e trombetas e silêncios.
Esfria o corpo
Roupas de algodões
Em sua boca
Estrelas e luas e cometas e corujas
Descansam os parques.
Calçadas de entreabertos olhos
Vigiam os passos
Em pedras portuguesas
Adormecem
Muros e árvores e bancos e jardins...
Folhas reclamam igarapés
Os siriris
Em cirandas de luz
Aos montes
Cantam nomes
Em sérias ruelas
Cala o verbo
Nasce a pele
O corrimão delatador
Trinca estrondosamente
Sob as mãos de alguém que chega
As crianças nos berços
Sonham
Os poemas nos livros
Amam
As chuvas nos telhados
Tilintam
Noturna
Chega como de costume...
Com suas luas e estrelas e cometas e corujas
E céus e bocas e trombetas e silêncios.
sábado, 9 de junho de 2007
Líquida II
A fita larga do mar
Me convida a dissolver
Dend’água fico fluida
Os tons são azuis
Eventualmente
Notas de verde
Tempo, velho
Novo amigo
Cá dend’água
Sua rota é perdida
Nesse mar com gosto
Areia de suas mãos
Só faz afofar
Meu peso breve
Na beirinha
Meu filho está nos braços do pai
Tento chamar sua atenção
Está perdido
Assim como eu
Tempo, velho
Tudo é tão grande
Em nossa pequeneza...
Todo amor que sinto aqui
Dend’água
Liquefaz meu corpo
Me torna Oceano Atlântico
Tempo, velho
Nunca você foi
Tão novo e bom amigo
Meu filho observa o todo
Perdidamente...
Meu marido em seus braços
Divaga...
Eu
Liquefeita
em mar
E amar
Me convida a dissolver
Dend’água fico fluida
Os tons são azuis
Eventualmente
Notas de verde
Tempo, velho
Novo amigo
Cá dend’água
Sua rota é perdida
Nesse mar com gosto
Areia de suas mãos
Só faz afofar
Meu peso breve
Na beirinha
Meu filho está nos braços do pai
Tento chamar sua atenção
Está perdido
Assim como eu
Tempo, velho
Tudo é tão grande
Em nossa pequeneza...
Todo amor que sinto aqui
Dend’água
Liquefaz meu corpo
Me torna Oceano Atlântico
Tempo, velho
Nunca você foi
Tão novo e bom amigo
Meu filho observa o todo
Perdidamente...
Meu marido em seus braços
Divaga...
Eu
Liquefeita
em mar
E amar
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Início
Parte minha
Parte sua
Minha
Sua
Vida em
Uma
Nosso amor
Amor ele
Vivo
Início
Ser
Perene
Mundo inteiro
Inteiro seu
Corpo
Novo
Tempo
Tudo
Nele a
Vida
Partida
Parte
Só
Arte
Parte sua
Minha
Sua
Vida em
Uma
Nosso amor
Amor ele
Vivo
Início
Ser
Perene
Mundo inteiro
Inteiro seu
Corpo
Novo
Tempo
Tudo
Nele a
Vida
Partida
Parte
Só
Arte
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Líquida

Venta na cidade.
Os carros passam pelo asfalto cinza
deslizam, precisos, pela leve camada de água em tapete.
Metálicos andarilhos de gente...
O céu é azul
o lilás do mar apaixona
e o sol, mesmo recluso,
se anuncia pelos vãos das nuvens.
Semana nova.
Pouco importa...
Passamos os dias passando
copiosamente regidos
pelo acaso de tudo.
Nos achamos, de fato
menos submissos.
Os carros passam pelo asfalto cinza
deslizam, precisos, pela leve camada de água em tapete.
Metálicos andarilhos de gente...
O céu é azul
o lilás do mar apaixona
e o sol, mesmo recluso,
se anuncia pelos vãos das nuvens.
Semana nova.
Pouco importa...
Passamos os dias passando
copiosamente regidos
pelo acaso de tudo.
Nos achamos, de fato
menos submissos.
Alguém suplica algo.
Não se ouve.
As buzinas cantam com a chuva
num dueto entristecido.
É Outono dentro de mim.
Mas
o céu é azul
o lilás do mar apaixona
e o sol, mesmo recluso,se anuncia pelos vãos das nuvens.
As buzinas cantam com a chuva
num dueto entristecido.
É Outono dentro de mim.
Mas
o céu é azul
o lilás do mar apaixona
e o sol, mesmo recluso,se anuncia pelos vãos das nuvens.
-
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Soneto da Rosa apaixonada
Sou a rosa na tua escrivaninha
Para tua íris descansar a mágoa
Feito uma alga marinha
Meu caule repousa na água.
Pelo duro vidro posso ouvir
Escrevendo de voz em falta
Não te cobro um tocar de flauta
A mim basta orquestrar-te ali
Nas pétalas uma nota de socorro
Encoberto pelo claro foro
Vendado no meu partir
Vou indo mansa, alegre
Sei que o viver é breve...
Sorte é morrer vendo-te sorrir.
Para tua íris descansar a mágoa
Feito uma alga marinha
Meu caule repousa na água.
Pelo duro vidro posso ouvir
Escrevendo de voz em falta
Não te cobro um tocar de flauta
A mim basta orquestrar-te ali
Nas pétalas uma nota de socorro
Encoberto pelo claro foro
Vendado no meu partir
Vou indo mansa, alegre
Sei que o viver é breve...
Sorte é morrer vendo-te sorrir.
terça-feira, 5 de junho de 2007
Santuário
São Joãos
embolhando nas chamas
de labaredas dançarinas
São Marias
devotas
meninas
São Joãos
pintando balões
de grená
São Marias
miúdas
mas sábias, quiçá
São Joãos
de olhos firmes
perdidos no ar
São Marias
bordadas no ouro
do colar
São Joãos, são Marias
de terra com sal
bentos num milagre
quase natural
embolhando nas chamas
de labaredas dançarinas
São Marias
devotas
meninas
São Joãos
pintando balões
de grená
São Marias
miúdas
mas sábias, quiçá
São Joãos
de olhos firmes
perdidos no ar
São Marias
bordadas no ouro
do colar
São Joãos, são Marias
de terra com sal
bentos num milagre
quase natural
sábado, 2 de junho de 2007
Reza de viola
Uma viola toca canções contentes.
Não há nessa morada
nada que lembra água
nos olhos da gente
Hoje a noite chamaram uma alegria cancioneira
viradas nas cordas tensas
saem leve como o nada
pra dançarem enluaradas
pelos céus de bocas quentes
Até a lua se fez mais cheia
enquanto as estrelas primeiras
eram pintadas no escuro
formando um mar de contas
harmoniosamente tingidas pelas mãos do criador
Cá dentro um amornar cadenciado
na medida em que o dedilhado
espalhava-se manso
pelas audições presentes
Cantigas de santos terrenos
Gigantes
Embora pequenos
Trazem um pouco de fé...
Por cada nota transpasso um fio.
Teço um rosário transparente
para rezar seus mistérios
quando a viola for versar
em outros ouvidos fieis.
Não há nessa morada
nada que lembra água
nos olhos da gente
Hoje a noite chamaram uma alegria cancioneira
viradas nas cordas tensas
saem leve como o nada
pra dançarem enluaradas
pelos céus de bocas quentes
Até a lua se fez mais cheia
enquanto as estrelas primeiras
eram pintadas no escuro
formando um mar de contas
harmoniosamente tingidas pelas mãos do criador
Cá dentro um amornar cadenciado
na medida em que o dedilhado
espalhava-se manso
pelas audições presentes
Cantigas de santos terrenos
Gigantes
Embora pequenos
Trazem um pouco de fé...
Por cada nota transpasso um fio.
Teço um rosário transparente
para rezar seus mistérios
quando a viola for versar
em outros ouvidos fieis.
sexta-feira, 1 de junho de 2007
Sobre o tempo
Folhas secas em mim
graciosamente marrons
suspiram...
Um vento marítimo
as sopram suficientemente devagar
para que eu as observe.
Uma a uma se vão pelo basculante
Sem beleza.
Sem tristeza.
Por sorte
levam um pouco de saudade...
Pela fresta dos meus olhos
água breve
morna.
Por baixo dos pés
um inicio de pastagem
verde novo
adentra meus calos
toma meus calcanhares
pernas
cochas
envolvendo parte por parte
do meu corpo.
Entra na minha boca
fazendo flores preguiçosas
nascerem em meu estômago
(vazio há muito...).
Vomito pétalas
Rosas
Roxas
Amarelas
para nauseada
desmaiar
de barriga colorida.
graciosamente marrons
suspiram...
Um vento marítimo
as sopram suficientemente devagar
para que eu as observe.
Uma a uma se vão pelo basculante
Sem beleza.
Sem tristeza.
Por sorte
levam um pouco de saudade...
Pela fresta dos meus olhos
água breve
morna.
Por baixo dos pés
um inicio de pastagem
verde novo
adentra meus calos
toma meus calcanhares
pernas
cochas
envolvendo parte por parte
do meu corpo.
Entra na minha boca
fazendo flores preguiçosas
nascerem em meu estômago
(vazio há muito...).
Vomito pétalas
Rosas
Roxas
Amarelas
para nauseada
desmaiar
de barriga colorida.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Caseira
O Sol esquentou.
Calor desenferrujou
partes molhadas de mim
Meu ombro esquecido
úmido
Lembrou da prima Vera
(aquela que mora no Rio)
Meu punho dolorido
frio
me disse bom dia
espiando o café da manhã
Minhas articulações estalantes
pularam saltitantes
fazendo com que eu levantasse
sonoramente confusa
Fechei as pálpebras cortinas num gesto último
de uma trégua matinal...
Meu corpo me pede raios
Minha cabeça pede pára-raios
Calor desenferrujou
partes molhadas de mim
Meu ombro esquecido
úmido
Lembrou da prima Vera
(aquela que mora no Rio)
Meu punho dolorido
frio
me disse bom dia
espiando o café da manhã
Minhas articulações estalantes
pularam saltitantes
fazendo com que eu levantasse
sonoramente confusa
Fechei as pálpebras cortinas num gesto último
de uma trégua matinal...
Meu corpo me pede raios
Minha cabeça pede pára-raios
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Hai Kais ( ou quase Hai Kais) de um olhar baiano
Quer ver maresia
sai de onde esta
e vem pra Bahia
A Bahia é uma festa.
Não falta nego
querendo uma fresta
A Bahia tem mar profundo
mas cá na beira
é bem imundo
A Bahia tem baianas bonitas
de saia rodada
e laços de fita
Meu bem querer é baiano
tem sempre um sujinho
debaixo do pano
No interior da Bahia
tem mato, rio, cachoeira
e aos Domingos tem feira
Vem cá, neguinho, vou te beijar
mas nem inventa
que não quero casar
A praia da Bahia é na segunda
dá pra ver mais mar
e menos bunda
Na Bahia tem
acarajé, vatapá, tapioca
e tem também muita “popoca”!
Tem muita gente dizendo que é bamba
mas como baiano
neguinho não samba
Ô, nega dá uma forçinha
eu tô é de olho
na sua vizinha
A mulher vem na centelha
com a voz de Yansã
toda vermelha
Meu coração faz tum-tum
se vir um caboclo
com a conta de Ogum
Lá da colina tu reza por mim
e traz uma fita
do Senhor do Bonfim
Meu amor, quer viver poesia?
larga os botões
e vâmo pra Bahia
Mais um dia
Pra eu fazer meu ofício
Que é cantar a Bahia
sai de onde esta
e vem pra Bahia
A Bahia é uma festa.
Não falta nego
querendo uma fresta
A Bahia tem mar profundo
mas cá na beira
é bem imundo
A Bahia tem baianas bonitas
de saia rodada
e laços de fita
Meu bem querer é baiano
tem sempre um sujinho
debaixo do pano
No interior da Bahia
tem mato, rio, cachoeira
e aos Domingos tem feira
Vem cá, neguinho, vou te beijar
mas nem inventa
que não quero casar
A praia da Bahia é na segunda
dá pra ver mais mar
e menos bunda
Na Bahia tem
acarajé, vatapá, tapioca
e tem também muita “popoca”!
Tem muita gente dizendo que é bamba
mas como baiano
neguinho não samba
Ô, nega dá uma forçinha
eu tô é de olho
na sua vizinha
A mulher vem na centelha
com a voz de Yansã
toda vermelha
Meu coração faz tum-tum
se vir um caboclo
com a conta de Ogum
Lá da colina tu reza por mim
e traz uma fita
do Senhor do Bonfim
Meu amor, quer viver poesia?
larga os botões
e vâmo pra Bahia
Mais um dia
Pra eu fazer meu ofício
Que é cantar a Bahia
sábado, 26 de maio de 2007
Senhora Formiga (para Paulinho e outras crianças)
Senhora formiga aonde vai toda prosa?
- Passear no canteiro de rosas
Essa formiga é engraçadinha
em fila indiana
parece uma linha
Senhora formiga aonde vai apressada?
-Pegar o açúcar de dentro da lata
Essa formiga é gulosa mesmo
ouvi falar, que pode levantar
mais de dez vezes o próprio peso
Senhora Formiga pára de correr!
-Cala, menina, se não mordo você!
Essa formiga é muito brava
dói bem fininho
a sua picada
Senhora formiga vai embora não!
Se eu te comer
é bom pra visão.
* Fui inspirada por uma lembrança da infância,quando minha mãe ao ver alguma formiga em meu suco dizia que era bom pras vista...(rs)...E eu saia pela casa matando tudo quanto era formiga e comendo uma a uma!(rs)
Vai ver que é por isso que minha visão hoje em dia é supimpa!
- Passear no canteiro de rosas
Essa formiga é engraçadinha
em fila indiana
parece uma linha
Senhora formiga aonde vai apressada?
-Pegar o açúcar de dentro da lata
Essa formiga é gulosa mesmo
ouvi falar, que pode levantar
mais de dez vezes o próprio peso
Senhora Formiga pára de correr!
-Cala, menina, se não mordo você!
Essa formiga é muito brava
dói bem fininho
a sua picada
Senhora formiga vai embora não!
Se eu te comer
é bom pra visão.
* Fui inspirada por uma lembrança da infância,quando minha mãe ao ver alguma formiga em meu suco dizia que era bom pras vista...(rs)...E eu saia pela casa matando tudo quanto era formiga e comendo uma a uma!(rs)
Vai ver que é por isso que minha visão hoje em dia é supimpa!
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Lá em casa tem tu
Lá em casa tem
galinha
conquén
pintinho
Lá em casa tem
siriguela
pitanga
abiu
Tem mico da cerca olhando
o povo chegando em comboio
Tem passarinhos aos bocados
cantando, porque bico tem
Tem as crianças brincando das coisas
que lá na cidade não pode.
treinando carreira,
porque os pés na terra
correm mais ligeiros
Na mesa tem
cuzcuz
manteiga
aimpim
bolo de milho
bolo de ovos
Tudo que puder imaginar
Na mesa tem
Tem os causos de Ronilton
tem os tambores de João na Quaresma
Neguinho no pasto, bonito...
O olhar das meninas querendo ver bem.
Lá em casa tem
boi
cavalo
bezerro
Lá em casa tem
banana
caqui
caju
Lívia
Paula
Flávia
Tem!
Marcelo
Camila
Tem!
E agora tem tu também.
galinha
conquén
pintinho
Lá em casa tem
siriguela
pitanga
abiu
Tem mico da cerca olhando
o povo chegando em comboio
Tem passarinhos aos bocados
cantando, porque bico tem
Tem as crianças brincando das coisas
que lá na cidade não pode.
treinando carreira,
porque os pés na terra
correm mais ligeiros
Na mesa tem
cuzcuz
manteiga
aimpim
bolo de milho
bolo de ovos
Tudo que puder imaginar
Na mesa tem
Tem os causos de Ronilton
tem os tambores de João na Quaresma
Neguinho no pasto, bonito...
O olhar das meninas querendo ver bem.
Lá em casa tem
boi
cavalo
bezerro
Lá em casa tem
banana
caqui
caju
Lívia
Paula
Flávia
Tem!
Marcelo
Camila
Tem!
E agora tem tu também.
quinta-feira, 24 de maio de 2007
Sobre a morte, sobre meu pai e sobre seu amor em três
Posso ouvir a chave na porta
O tilintar dos talhares no jantar
A língua estalando
A morte tem um brilho próprio
Nela descansa a vida
Um derradeiro suspiro
De um corpo quente.
Ouço roncos nas madrugadas
E sua voz ainda me canta Caymmi
A cozinha com a luz azulada
Dentes mastigando crocancias
A firmeza das suas mãos
Memória de pele
A morte é uma falsa morte
A vida segue por outras vidas
Nas histórias que virão a ser
As memórias dos pequenos
Ao crescerem um tico mais
Meu pai, como parte de mim, permanece
Seus seguimentos de veias são teias em meu corpo
Faço seu nome vivo
No nome do meu filho
É pra ele que vou contar
Sobre nossos amores
Reencontro com teu riso
Em rios de saudade boa...
O grito da perda
Se tornou um silêncio preciso
Na varanda da casa
Adormeceu o homem imenso
De gordo coração
Obesos sonhos
Posso acordá-lo sempre
Quando voltar pra lá
Pro nosso Sítio Três Amores
O tilintar dos talhares no jantar
A língua estalando
A morte tem um brilho próprio
Nela descansa a vida
Um derradeiro suspiro
De um corpo quente.
Ouço roncos nas madrugadas
E sua voz ainda me canta Caymmi
A cozinha com a luz azulada
Dentes mastigando crocancias
A firmeza das suas mãos
Memória de pele
A morte é uma falsa morte
A vida segue por outras vidas
Nas histórias que virão a ser
As memórias dos pequenos
Ao crescerem um tico mais
Meu pai, como parte de mim, permanece
Seus seguimentos de veias são teias em meu corpo
Faço seu nome vivo
No nome do meu filho
É pra ele que vou contar
Sobre nossos amores
Reencontro com teu riso
Em rios de saudade boa...
O grito da perda
Se tornou um silêncio preciso
Na varanda da casa
Adormeceu o homem imenso
De gordo coração
Obesos sonhos
Posso acordá-lo sempre
Quando voltar pra lá
Pro nosso Sítio Três Amores
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Sobre a dor
Dor
Fita cinza metálica
Amarrada no estômago
Chuvisco constante
Molhando os sapatos
Vagarosamente
Cachoeira escura
Ora visitada
Ora esquecida
Numa gruta acordada
A certeza ensolarada
De um tempo promessa
Fita cinza metálica
Amarrada no estômago
Chuvisco constante
Molhando os sapatos
Vagarosamente
Cachoeira escura
Ora visitada
Ora esquecida
Numa gruta acordada
A certeza ensolarada
De um tempo promessa
Palavras
Palavras são comichões
Que inquietam meu corpo
Acordando meus dedos selados
No calar de mim
A palavra fala insistente.
Que inquietam meu corpo
Acordando meus dedos selados
No calar de mim
A palavra fala insistente.
Lembranças Tomates
terça-feira, 22 de maio de 2007
Cinzas de Maio
Em Maio chove
Nas janelas escorrem lágrimas aos montes
A cidade cinza frio
Contrapesa tantas queimaduras
Com o risco do inverno
Em Maio, me sinto mais Maio
O aconchego dos lençóis
Amornam o esfriar da minha alma
Enquanto sou solidão
Em Maio escrevo mais
Essa distância do sol
Me inspira...
Nas janelas escorrem lágrimas aos montes
A cidade cinza frio
Contrapesa tantas queimaduras
Com o risco do inverno
Em Maio, me sinto mais Maio
O aconchego dos lençóis
Amornam o esfriar da minha alma
Enquanto sou solidão
Em Maio escrevo mais
Essa distância do sol
Me inspira...
segunda-feira, 21 de maio de 2007
Materna
De onde mal se sabia
Surge imensa morada
Ternura desperta
Pelo tempo molhado
São feitas de colo
Cor de calor
Trazem no dorso
Punhados de chuvas
Nas mãos
Frutas vermelhas
Nos olhos
A calma maçã
Fadigas contidas
Num sopro verde
Estremecem a cada manhã
Ao ver água macia
Na fonte de pedras
Refletindo luz solar
Em moedas douradas
Surge imensa morada
Ternura desperta
Pelo tempo molhado
São feitas de colo
Cor de calor
Trazem no dorso
Punhados de chuvas
Nas mãos
Frutas vermelhas
Nos olhos
A calma maçã
Fadigas contidas
Num sopro verde
Estremecem a cada manhã
Ao ver água macia
Na fonte de pedras
Refletindo luz solar
Em moedas douradas
Contas
Conta pra mim sobre seus mundos
Detalhe sua sorte
Quantas azares te convir
Suas raivas
Seus amores
Seus planos, profanos
Olhares, mundanos
Não minta, se abre
Meu bem é tão tarde...
São meus tantos panos!
Conta devagar
Suas falhas, vitórias
Batalhas, memórias
Caladas, marinhas
Me canta seu mar...
Aprendo contigo
Amante, amigo
Querido,
Querido...
Meu bem, meu amor
Costura o amar
Se parte pra mim
Meu raio, retalho.
Que eu saio
Que eu saio
Contigo no ar.
Detalhe sua sorte
Quantas azares te convir
Suas raivas
Seus amores
Seus planos, profanos
Olhares, mundanos
Não minta, se abre
Meu bem é tão tarde...
São meus tantos panos!
Conta devagar
Suas falhas, vitórias
Batalhas, memórias
Caladas, marinhas
Me canta seu mar...
Aprendo contigo
Amante, amigo
Querido,
Querido...
Meu bem, meu amor
Costura o amar
Se parte pra mim
Meu raio, retalho.
Que eu saio
Que eu saio
Contigo no ar.
sábado, 19 de maio de 2007
Soneto guardado
Flor fugida
Em ramalhete de partida
A lágrima quente
Vem temente
Não adianta prometeres
Sei que não voltas
Vai,não entorta
Meu peito com teus dizeres
Guardo tua pele crua
E da negra noite, a lua
Que veio com teus quereres
Guardo o suor salgado
De um pulso frio e sagrado
Do teu corpo morto em prazeres.
Em ramalhete de partida
A lágrima quente
Vem temente
Não adianta prometeres
Sei que não voltas
Vai,não entorta
Meu peito com teus dizeres
Guardo tua pele crua
E da negra noite, a lua
Que veio com teus quereres
Guardo o suor salgado
De um pulso frio e sagrado
Do teu corpo morto em prazeres.
sexta-feira, 18 de maio de 2007
Conselho
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Praça da Espera
Amor, quanto tempo demora?
Aqui, em banco de madeira
Desfolho seu nome na beira
De um chão escuro e sem flora
Amado, será tempo?
Dos beijos que guardo nos lábios
Pra sua salíva em ávidos
Soluços tremidos conter
Enquanto te espero, a saudade
De não te ter chega, arde
Meu colo, meu ventre, meu ser...
Na curva uma turva sombra
Quieta, mansa, assombra
Meus zêlos por ser você.
Aqui, em banco de madeira
Desfolho seu nome na beira
De um chão escuro e sem flora
Amado, será tempo?
Dos beijos que guardo nos lábios
Pra sua salíva em ávidos
Soluços tremidos conter
Enquanto te espero, a saudade
De não te ter chega, arde
Meu colo, meu ventre, meu ser...
Na curva uma turva sombra
Quieta, mansa, assombra
Meus zêlos por ser você.
Segredos
Querendo Vinicius...

Meu amor, Vinicius
Por ti tem gosto de uvas
Por ti tem gosto de uvas
Para se perder em minhas curvas
Queria teu indicio
Meu amor, Vinicius
Por tuas palavras salgadas
Tem saliva grossa, espumada
Do mar com teus malefícios
Foste embora, querido meu
Sem ao menos conhecer-me
Não te toco, embora teime.
Mas me chegas em boa hora
Para um gozo de senhora
Onde te abro e digo: -Queime!
Mudanças num passeio
Arbustos pela cidade
Folhas secas pelo chão
Tantos verdes balançam esperanças
E as flores tão risonhas...
Dançam com o ventinho
Que passa
Mansinho
É como se a menina ainda vivesse
Tudo isso tocando
Como se tocada eu fosse
Pelo amante muito delicado
Vem ventania
Levanta a saia
Vai momento
Num curto espaço de tempo
O mundo pareceu tarado!
Folhas secas pelo chão
Tantos verdes balançam esperanças
E as flores tão risonhas...
Dançam com o ventinho
Que passa
Mansinho
É como se a menina ainda vivesse
Tudo isso tocando
Como se tocada eu fosse
Pelo amante muito delicado
Vem ventania
Levanta a saia
Vai momento
Num curto espaço de tempo
O mundo pareceu tarado!
Vontades
Sereia
Hei de um dia te prender
Na teia
Da aranha que mora em terra firme
Na ceia
Vou degustar teu sal encruado
Na veia
Teu sangue gelado
Hei de um dia te prender
Na teia
Da aranha que mora em terra firme
Na ceia
Vou degustar teu sal encruado
Na veia
Teu sangue gelado
Apelos
Meu homem
Tua barba roça minha pele
Que rosada fica
Envergonhada pelos apelos
Que tua boca quase calada
Faz sobre meu pêlos
Tua barba roça minha pele
Que rosada fica
Envergonhada pelos apelos
Que tua boca quase calada
Faz sobre meu pêlos
Pedido de Mar

Ô, jangadeiro, me leva pra longe daqui...
Meu rosário não cabe as rezas que faço toda noite
Me leva pra longe desse cais
Me leva pra longe desse cais
Faz trinta dias hoje, que ele foi e num voltou mais
Amor de mar é assim
Leva e traz
E minha rosa voltou...
A sereia achou bobo
O meu pedido de amor...
Amor de mar é assim
Leva e traz
E minha rosa voltou...
A sereia achou bobo
O meu pedido de amor...
Naquela noite de lua
Juntou rede, corda,
Um pouco da cachaça
Rumou pro mar
Os cabelos da sereia
Prata serpente refletindo o luar
Meus olhos marearam
Todo tempo que esperei
Eu rezei
Eu rezei
E tu foste apaixonado
Lá pro fundo do azul
De mãos dadas com ela...
Enrolados em pano ventado
Só voltou barco quebrado
E nenhum sinal da vela.
Ô, jangadeiro, me leva pra longe daqui...
Os cabelos da sereia
Prata serpente refletindo o luar
Meus olhos marearam
Todo tempo que esperei
Eu rezei
Eu rezei
E tu foste apaixonado
Lá pro fundo do azul
De mãos dadas com ela...
Enrolados em pano ventado
Só voltou barco quebrado
E nenhum sinal da vela.
Ô, jangadeiro, me leva pra longe daqui...
Meu rosário não cabe as rezas que faço toda noite
Me leva pra longe desse cais
Me leva pra longe desse cais
Faz trinta dias hoje, que ele foi e num voltou mais
Careceu

Careceu de ser assim
Você e eu
Careceu, moreno
Careceu...
Foi assim, bem ao acaso
Que nosso coração de prendeu.
Foi no mar da Bahia
Meus pés pisaram conchas da beira
E teus olhos, não eram Jabuticabas
Eram a própria Jabuticabeira
Não esperava, que na madrugada
Meus lábios iam juntar mais os seus
Resgatando águas passadas
Que o rio não escorreu.
Careceu de ser assim
Você e eu
Careceu, moreno
Careceu...
Foto: Tiago Lima (http://www.tiagolima.com)
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